(Esc. Naval 2016) Laivos de memória ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas são sempre dolorosas não seriam certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: ... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a adolescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento. (CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Observe o elemento coesivo destacado no trecho a seguir. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos [...]. (17 parágrafo) Marque a opção em que foi usado um conector com significado semelhante ao do elemento destacado no trecho acima.
(Esc. Naval 2016) Laivos de memória ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas são sempre dolorosas não seriam certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: ... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a adolescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento. (CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) No trecho Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura (1 parágrafo), o autor usou uma figura de linguagem denominada
(Esc. Naval 2016) Sobre o mar e o navio Na guerra naval, existem ainda algumas peculiaridades que merecem ser abordadas. Uma delas diz respeito ao cenário das batalhas: o mar. Diferente, em linhas gerais, dos teatros de operações terrestres, o mar não tem limites, não tem fronteiras definidas, a não ser nas proximidades dos litorais, nos estreitos, nas baías e enseadas. Em uma batalha em mar aberto, certamente, poderão ser empregadas manobras táticas diversas dos engajamentos efetuados em área marítima restrita. Nelas, as forças navais podem se valer das características geográficas locais, como fez o comandante naval grego Temístocles, em 480 a.C. ao atrair as forças persas para a baía de Salamina, onde pôde proteger os flancos de sua formatura, evitando o envolvimento pela força naval numericamente superior dos invasores persas. As condições meteorológicas são outros fatores que também afetam, muitas vezes de forma drástica, as operações nos teatros marítimos. O mar grosso, os vendavais, ou mesmo as longas calmarias, especialmente na era da vela, são responsáveis por grandes transtornos ao governo dos navios, dificultando fainas e manobras e, não poucas vezes, interferindo nos resultados das ações navais ou mesmo impedindo o engajamento. É oportuno relembrar que o vento e a força do mar destruíram as esquadras persa (490 a.C.), mongol (1281) e a incrível Armada Espanhola (1588), salvando respectivamente a Grécia, o Japão (que denominou de kamikaze o vento divino salvador) e a Inglaterra daqueles invasores vindos do mar. O cenário marítimo também é o responsável pela causa mortis da maioria dos tripulantes dos navios afundados nas batalhas navais, cujas baixas por afogamento são certamente mais numerosas do que as causadas pelos ferimentos dos impactos dos projéteis, dos estilhaços e dos abalroamentos. Em maio de 1941, o cruzador de batalha britânico HMS Hood, atingido pelo fogo da artilharia do Bismarck, afundou, em poucos minutos, levando para o fundo cerca de 1.400 tripulantes, dos quais apenas três sobreviveram. Aliás, o instante do afundamento de um navio é um momento crucial para a sobrevivência daqueles tripulantes que conseguem saltar ou são jogados ao mar, pois o efeito da sucção pode arrastar para o fundo os tripulantes que estiverem nas proximidades do navio no momento da submersão. Por sua vez, os náufragos podem permanecer dias, semanas, em suas balsas à deriva, em um mar batido pela ação dos ventos, continuamente borrifadas pelas águas salgadas, sofrendo o calor tropical escaldante ou o frio intenso das altas latitudes, como nos mares Ártico, do Norte ou Báltico, cujas baixas temperaturas dos tempos invernais limitam cabalmente o tempo de permanência nágua dos náufragos, tornando fundamental para a sua sobrevivência a rapidez do socorro prestado. O navio também é um engenho de guerra singular. Ao mesmo tempo morada e local de trabalho do marinheiro, graças à sua mobilidade, tem a capacidade de conduzir homens e armas até o cenário da guerra. Plataforma bélica plena e integral, engaja batalhas, sofre derrotas, naufraga ou conquista vitórias, tornando-se quase sempre objeto inesquecível da história de sua marinha e país. (CESAR, William Carmo. Sobre o mar e o navio. In: __________. Uma história das Guerras Navais: o desenvolvimento tecnológico das belonaves e o emprego do Poder Naval ao longo dos tempos. Rio de Janeiro: FEMAR, 2013. p. 396-398) Marque a opção em que a função sintática do pronome relativo está corretamente indicada.
(Esc. Naval 2016) Laivos de memória ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas são sempre dolorosas não seriam certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: ... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a adolescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento. (CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Em que opção o autor apresenta a solução positiva para as perdas decorrentes de sua escolha profissional?
(Esc. Naval 2016) Laivos de memória ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencerão de que abraçaram uma carreira difícil, árdua, cheia de sacrifícios, mas útil, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) Há quase 50 anos, experimentei um misto de angústia, tristeza e ansiedade que meu jovem coração de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasião, despedia-me dos amigos de infância e da família e deixava para trás bucólica cidadezinha da região serrana fluminense. A motivação que me levava a abandonar gentes e coisas tão caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a decisão tomada de dar novos rumos à minha vida. Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito além das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir à sedução e ao fascínio que a vida no mar desperta nos corações dos jovens? Havia, portanto, uma convicção: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas são sempre dolorosas não seriam certamente em vão. Não tinha dúvidas de que os sonhos que acalentavam meu coração pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em março de 1962, desembarcávamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracação do Colégio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colégio Naval, não posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espaço em nossos corações, era naquele momento substituída pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasião das despedidas, provara-se equivocado: às nossas caras famílias de origem agregava-se uma nova, a Família Naval, composta pelos recém-chegados companheiros; e às respectivas cidades de nascimento, como a minha bucólica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria à histórica Villegagnon em meio à sublime baía de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivência, tanto no Colégio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem científica, humanística e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, práticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegação, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indeléveis. Estes e tantos outros símbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colégio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razão de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instrução, o tão sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Nós, da Turma Míguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade ímpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegação da Marinha Brasileira. Após o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro início da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandaré, o inesquecível C-12. Era a inevitável separação da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfação e ansiedade tomou conta do coração, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Após proveitosos, mas descontraídos estágios de instrução como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial começariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transição do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notável escritor-marinheiro Gastão Penalva escrevera com muita propriedade: ... é a fase inesquecível de nosso ofício. Coincide exatamente com a adolescência, primavera da vida. Tudo são flores e ilusões... Depois começam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acúmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradáveis e duradouras lembranças em nossa memória. Com o passar dos tempos, inúmeros Conveses e Praça d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como é gratificante, ainda que melancólico, repassar tantas lembranças, tantos termos expressivos, tanta gíria maruja, tantas tradições, fainas e eventos tão intensamente vividos a bordo de inesquecíveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas líquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das águas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-número de enseadas, baías, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonançosos e ventos tranquilos e favoráveis. Inúmeros foram também os portos e cidades visitadas, não só no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimáveis e valiosos conhecimentos, principalmente graças ao contato com povos diferentes e até mesmo de culturas exóticas e hábitos às vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilão e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Câmara Cascudo, o mar não guarda os vestígios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a ilusão cordial do descobrimento. (CÉSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memória. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Marque a opção em que a reescritura do trecho Meu mundo de então se tornara pequeno demais para as minhas aspirações (2 parágrafo) mantém seu sentido original e respeita a norma gramatical.
(ESCOLA NAVAL - 2016) Laivos de memria ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencero de que abraaram uma carreira difcil, rdua, cheia de sacrifcios, mas til, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) H quase 50 anos, experimentei um misto de angstia, tristeza e ansiedade que meu jovem corao de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasio, despedia-me dos amigos de infncia e da famlia e deixava para trs buclica cidadezinha da regio serrana fluminense. A motivao que me levava a abandonar gentes e coisas to caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a deciso tomada de dar novos rumos minha vida. Meu mundo de ento se tornara pequeno demais para as minhas aspiraes. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito alm das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir seduo e ao fascnio que a vida no mar desperta nos coraes dos jovens? Havia, portanto, uma convico: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas so sempre dolorosas no seriam certamente em vo. No tinha dvidas de que os sonhos que acalentavam meu corao pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em maro de 1962, desembarcvamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracao do Colgio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colgio Naval, no posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espao em nossos coraes, era naquele momento substituda pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasio das despedidas, provara-se equivocado: s nossas caras famlias de origem agregava-se uma nova, a Famlia Naval, composta pelos recm-chegados companheiros; e s respectivas cidades de nascimento, como a minha buclica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria histrica Villegagnon em meio sublime baa de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivncia, tanto no Colgio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientfica, humanstica e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, prticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegao, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indelveis. Estes e tantos outros smbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colgio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razo de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instruo, o to sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Ns, da Turma Mguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade mpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegao da Marinha Brasileira. Aps o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro incio da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandar, o inesquecvel C-12. Era a inevitvel separao da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Aps proveitosos, mas descontrados estgios de instruo como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial comeariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transio do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notvel escritor-marinheiro Gasto Penalva escrevera com muita propriedade: ... a fase inesquecvel de nosso ofcio. Coincide exatamente com a adolescncia, primavera da vida. Tudo so flores e iluses... Depois comeam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradveis e duradouras lembranas em nossa memria. Com o passar dos tempos, inmeros Conveses e Praa d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos to intensamente vividos a bordo de inesquecveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas lquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das guas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-nmero de enseadas, baas, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonanosos e ventos tranquilos e favorveis. Inmeros foram tambm os portos e cidades visitadas, no s no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimveis e valiosos conhecimentos, principalmente graas ao contato com povos diferentes e at mesmo de culturas exticas e hbitos s vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilo e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Cmara Cascudo, o mar no guarda os vestgios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a iluso cordial do descobrimento. (CSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memria. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Assinale a opo em que a concordncia do verbo ser justifica-se pela mesma regra observada em: [...] Tudo so flores e iluses [...] (13 pargrafo)
(Esc. Naval 2016) Laivos de memria ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencero de que abraaram uma carreira difcil, rdua, cheia de sacrifcios, mas til, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) H quase 50 anos, experimentei um misto de angstia, tristeza e ansiedade que meu jovem corao de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasio, despedia-me dos amigos de infncia e da famlia e deixava para trs buclica cidadezinha da regio serrana fluminense. A motivao que me levava a abandonar gentes e coisas to caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a deciso tomada de dar novos rumos minha vida. Meu mundo de ento se tornara pequeno demais para as minhas aspiraes. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito alm das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir seduo e ao fascnio que a vida no mar desperta nos coraes dos jovens? Havia, portanto, uma convico: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas so sempre dolorosas no seriam certamente em vo. No tinha dvidas de que os sonhos que acalentavam meu corao pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em maro de 1962, desembarcvamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracao do Colgio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colgio Naval, no posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espao em nossos coraes, era naquele momento substituda pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasio das despedidas, provara-se equivocado: s nossas caras famlias de origem agregava-se uma nova, a Famlia Naval, composta pelos recm-chegados companheiros; e s respectivas cidades de nascimento, como a minha buclica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria histrica Villegagnon em meio sublime baa de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivncia, tanto no Colgio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientfica, humanstica e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, prticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegao, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indelveis. Estes e tantos outros smbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colgio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razo de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instruo, o to sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Ns, da Turma Mguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade mpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegao da Marinha Brasileira. Aps o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro incio da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandar, o inesquecvel C-12. Era a inevitvel separao da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Aps proveitosos, mas descontrados estgios de instruo como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial comeariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transio do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notvel escritor-marinheiro Gasto Penalva escrevera com muita propriedade: ... a fase inesquecvel de nosso ofcio. Coincide exatamente com a adolescncia, primavera da vida. Tudo so flores e iluses... Depois comeam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradveis e duradouras lembranas em nossa memria. Com o passar dos tempos, inmeros Conveses e Praa d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos to intensamente vividos a bordo de inesquecveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas lquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das guas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-nmero de enseadas, baas, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonanosos e ventos tranquilos e favorveis. Inmeros foram tambm os portos e cidades visitadas, no s no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimveis e valiosos conhecimentos, principalmente graas ao contato com povos diferentes e at mesmo de culturas exticas e hbitos s vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilo e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Cmara Cascudo, o mar no guarda os vestgios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a iluso cordial do descobrimento. (CSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memria. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Assinale a opo em que o comentrio sobre o fragmento Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente [...] (13 pargrafo) est correto.
(ESCOLA NAVAL - 2016) Leia o texto abaixo e responda (s) questo(es) a seguir. Laivos de memria ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencero de que abraaram uma carreira difcil, rdua, cheia de sacrifcios, mas til, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) H quase 50 anos, experimentei um misto de angstia, tristeza e ansiedade que meu jovem corao de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasio, despedia-me dos amigos de infncia e da famlia e deixava para trs buclica cidadezinha da regio serrana fluminense. A motivao que me levava a abandonar gentes e coisas to caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a deciso tomada de dar novos rumos minha vida. Meu mundo de ento se tornara pequeno demais para as minhas aspiraes. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito alm das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir seduo e ao fascnio que a vida no mar desperta nos coraes dos jovens? Havia, portanto, uma convico: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas so sempre dolorosas no seriam certamente em vo. No tinha dvidas de que os sonhos que acalentavam meu corao pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em maro de 1962, desembarcvamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracao do Colgio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colgio Naval, no posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espao em nossos coraes, era naquele momento substituda pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasio das despedidas, provara-se equivocado: s nossas caras famlias de origem agregava-se uma nova, a Famlia Naval, composta pelos recm-chegados companheiros; e s respectivas cidades de nascimento, como a minha buclica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria histrica Villegagnon em meio sublime baa de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivncia, tanto no Colgio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientfica, humanstica e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, prticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegao, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indelveis. Estes e tantos outros smbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colgio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razo de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instruo, o to sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Ns, da Turma Mguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade mpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegao da Marinha Brasileira. Aps o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro incio da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandar, o inesquecvel C-12. Era a inevitvel separao da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Aps proveitosos, mas descontrados estgios de instruo como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial comeariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transio do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notvel escritor-marinheiro Gasto Penalva escrevera com muita propriedade: ... a fase inesquecvel de nosso ofcio. Coincide exatamente com a adolescncia, primavera da vida. Tudo so flores e iluses... Depois comeam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradveis e duradouras lembranas em nossa memria. Com o passar dos tempos, inmeros Conveses e Praa d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos to intensamente vividos a bordo de inesquecveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas lquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das guas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-nmero de enseadas, baas, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonanosos e ventos tranquilos e favorveis. Inmeros foram tambm os portos e cidades visitadas, no s no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimveis e valiosos conhecimentos, principalmente graas ao contato com povos diferentes e at mesmo de culturas exticas e hbitos s vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilo e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Cmara Cascudo, o mar no guarda os vestgios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a iluso cordial do descobrimento. (CSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memria. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Leia o trecho a seguir: Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos [...]. (15 pargrafo) Os termos destacados servem para estabelecer o processo de coeso denominado
(ESC. NAVAL - 2016) Laivos de memria ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencero de que abraaram uma carreira difcil, rdua, cheia de sacrifcios, mas til, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) H quase 50 anos, experimentei um misto de angstia, tristeza e ansiedade que meu jovem corao de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasio, despedia-me dos amigos de infncia e da famlia e deixava para trs buclica cidadezinha da regio serrana fluminense. A motivao que me levava a abandonar gentes e coisas to caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a deciso tomada de dar novos rumos minha vida. Meu mundo de ento se tornara pequeno demais para as minhas aspiraes. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito alm das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir seduo e ao fascnio que a vida no mar desperta nos coraes dos jovens? Havia, portanto, uma convico: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas so sempre dolorosas no seriam certamente em vo. No tinha dvidas de que os sonhos que acalentavam meu corao pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em maro de 1962, desembarcvamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracao do Colgio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colgio Naval, no posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espao em nossos coraes, era naquele momento substituda pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasio das despedidas, provara-se equivocado: s nossas caras famlias de origem agregava-se uma nova, a Famlia Naval, composta pelos recm-chegados companheiros; e s respectivas cidades de nascimento, como a minha buclica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria histrica Villegagnon em meio sublime baa de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivncia, tanto no Colgio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientfica, humanstica e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, prticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegao, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indelveis. Estes e tantos outros smbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colgio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razo de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instruo, o to sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Ns, da Turma Mguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade mpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegao da Marinha Brasileira. Aps o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro incio da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandar, o inesquecvel C-12. Era a inevitvel separao da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Aps proveitosos, mas descontrados estgios de instruo como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial comeariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transio do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notvel escritor-marinheiro Gasto Penalva escrevera com muita propriedade: ... a fase inesquecvel de nosso ofcio. Coincide exatamente com a adolescncia, primavera da vida. Tudo so flores e iluses... Depois comeam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradveis e duradouras lembranas em nossa memria. Com o passar dos tempos, inmeros Conveses e Praa d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos to intensamente vividos a bordo de inesquecveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas lquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das guas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-nmero de enseadas, baas, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonanosos e ventos tranquilos e favorveis. Inmeros foram tambm os portos e cidades visitadas, no s no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimveis e valiosos conhecimentos, principalmente graas ao contato com povos diferentes e at mesmo de culturas exticas e hbitos s vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilo e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Cmara Cascudo, o mar no guarda os vestgios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a iluso cordial do descobrimento. (CSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memria. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Em que opo encontra-se uma palavra, cujo processo de formao o mesmo do termo destacado em [...] o to sonhado embarque [...]. (11 pargrafo)
TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o texto abaixo e responda à(s) questão(ões) a seguir. Sobre o mar e o navio Na guerra naval, existem ainda algumas peculiaridades que merecem ser abordadas. Uma delas diz respeito ao cenário das batalhas: o mar. Diferente, em linhas gerais, dos teatros de operações terrestres, o mar não tem limites, não tem fronteiras definidas, a não ser nas proximidades dos litorais, nos estreitos, nas baías e enseadas. Em uma batalha em mar aberto, certamente, poderão ser empregadas manobras táticas diversas dos engajamentos efetuados em área marítima restrita. Nelas, as forças navais podem se valer das características geográficas locais, como fez o comandante naval grego Temístocles, em 480 a.C. ao atrair as forças persas para a baía de Salamina, onde pôde proteger os flancos de sua formatura, evitando o envolvimento pela força naval numericamente superior dos invasores persas. As condições meteorológicas são outros fatores que também afetam, muitas vezes de forma drástica, as operações nos teatros marítimos. O mar grosso, os vendavais, ou mesmo as longas calmarias, especialmente na era da vela, são responsáveis por grandes transtornos ao governo dos navios, dificultando fainas e manobras e, não poucas vezes, interferindo nos resultados das ações navais ou mesmo impedindo o engajamento. É oportuno relembrar que o vento e a força do mar destruíram as esquadras persa (490 a.C.), mongol (1281) e a incrível Armada Espanhola (1588), salvando respectivamente a Grécia, o Japão (que denominou de kamikaze o vento divino salvador) e a Inglaterra daqueles invasores vindos do mar. O cenário marítimo também é o responsável pela causa mortis da maioria dos tripulantes dos navios afundados nas batalhas navais, cujas baixas por afogamento são certamente mais numerosas do que as causadas pelos ferimentos dos impactos dos projéteis, dos estilhaços e dos abalroamentos. Em maio de 1941, o cruzador de batalha britânico HMS Hood, atingido pelo fogo da artilharia do Bismarck, afundou, em poucos minutos, levando para o fundo cerca de 1400tripulantes, dos quais apenas três sobreviveram. Aliás, o instante do afundamento de um navio é um momento crucial para a sobrevivência daqueles tripulantes que conseguem saltar ou são jogados ao mar, pois o efeito da sucção pode arrastar para o fundo os tripulantes que estiverem nas proximidades do navio no momento da submersão. Por sua vez, os náufragos podem permanecer dias, semanas, em suas balsas à deriva, em um mar batido pela ação dos ventos, continuamente borrifadas pelas águas salgadas, sofrendo o calor tropical escaldante ou o frio intenso das altas latitudes, como nos mares Ártico, do Norte ou Báltico, cujas baixas temperaturas dos tempos invernais limitam cabalmente o tempo de permanência nágua dos náufragos, tornando fundamental para a sua sobrevivência a rapidez do socorro prestado. O navio também é um engenho de guerra singular. Ao mesmo tempo morada e local de trabalho do marinheiro, graças à sua mobilidade, tem a capacidade de conduzir homens e armas até o cenário da guerra. Plataforma bélica plena e integral, engaja batalhas, sofre derrotas, naufraga ou conquista vitórias, tornando-se quase sempre objeto inesquecível da história de sua marinha e país. (CESAR, William Carmo. Sobre o mar e o navio. In: __________. Uma história das Guerras Navais: o desenvolvimento tecnológico das belonaves e o emprego do Poder Naval ao longo dos tempos. Rio de Janeiro: FEMAR, 2013. p. 396-398) (Esc. Naval 2016) Considerando a regência, assinale a opção em que a troca da preposição NÃO altera a relação de sentido estabelecida entre os termos.
(ESCOLA NAVAL - 2016) Leia o texto abaixo e responda (s) questo(es) a seguir. Laivos de memria ... e quando tiverem chegado, vitoriosamente, ao fim dessa primeira etapa, mais ainda se convencero de que abraaram uma carreira difcil, rdua, cheia de sacrifcios, mas til, nobre e, sobretudo bela. (NOSSA VOGA, Escola Naval, Ilha de Villegagnon, 1964) H quase 50 anos, experimentei um misto de angstia, tristeza e ansiedade que meu jovem corao de adolescente soube suportar com bravura. Naquela ocasio, despedia-me dos amigos de infncia e da famlia e deixava para trs buclica cidadezinha da regio serrana fluminense. A motivao que me levava a abandonar gentes e coisas to caras era, naquele momento, suficientemente forte para respaldar a deciso tomada de dar novos rumos minha vida. Meu mundo de ento se tornara pequeno demais para as minhas aspiraes. Meus desejos e sonhos projetavam horizontes que iam muito alm das montanhas que circundam minha terra natal. Como resistir seduo e ao fascnio que a vida no mar desperta nos coraes dos jovens? Havia, portanto, uma convico: aquelas despedidas, ainda que dolorosas e despedidas so sempre dolorosas no seriam certamente em vo. No tinha dvidas de que os sonhos que acalentavam meu corao pouco a pouco iriam se converter em realidade. Em maro de 1962, desembarcvamos do Aviso Rio das Contas na ponte de atracao do Colgio Naval, como integrantes de mais uma Turma desse tradicional estabelecimento de ensino da Marinha do Brasil. Ainda que a ansiedade persistisse oprimindo o peito dos novos e orgulhosos Alunos do Colgio Naval, no posso negar que a tristeza, que antes havia ocupado espao em nossos coraes, era naquele momento substituda pelo contentamento peculiar dos vitoriosos. E o sentimento de perda, experimentado por ocasio das despedidas, provara-se equivocado: s nossas caras famlias de origem agregava-se uma nova, a Famlia Naval, composta pelos recm-chegados companheiros; e s respectivas cidades de nascimento, como a minha buclica Bom Jardim, juntava-se, naquele instante, a bela e graciosa enseada Batista das Neves em Angra dos Reis, como mais tarde se agregaria histrica Villegagnon em meio sublime baa de Guanabara. Ao todo foram seis anos de companheirismo e feliz convivncia, tanto no Colgio como na Escola Naval. Seis anos de aprendizagem cientfica, humanstica e, sobretudo, militar-naval. Seis anos entremeados de aulas, festivais de provas, prticas esportivas, remo, vela, cabo de guerra, navegao, marinharia, ordem-unida, atividades extraclasses, recreativas, culturais e sociais, que deixaram marcas indelveis. Estes e tantos outros smbolos, objetos e acontecimentos passados desfilam hoje, deliciosa e inexoravelmente distantes, em meio a saudosos devaneios. Ainda como alunos do Colgio Naval, os contatos preliminares com a vida de bordo e as primeiras idas para o mar a razo de ser da carreira naval. Como Aspirantes, derrotas mais longas e as primeiras descobertas: Santos, Salvador, Recife e Fortaleza! Fechando o ciclo das Viagens de Instruo, o to sonhado embarque no Navio-Escola. Viagem maravilhosa! Ns, da Turma Mguens, Guardas-Marinha de 1967, tivemos a oportunidade mpar e rara de participar de um cruzeiro ao redor do mundo em 1968: a Quinta Circum-navegao da Marinha Brasileira. Aps o regresso, as platinas de Segundo-Tenente, o primeiro embarque efetivo e o verdadeiro incio da vida profissional no meu caso, a bordo do cruzador Tamandar, o inesquecvel C-12. Era a inevitvel separao da Turma do CN-62/63 e da EM-64/67. Novamente um misto de satisfao e ansiedade tomou conta do corao, agora do jovem Tenente, ao se apresentar para servir a bordo de um navio de nossa Esquadra. Aps proveitosos, mas descontrados estgios de instruo como Aspirante e Guarda-Marinha, quando as responsabilidades eram restritas a compromissos curriculares, as platinas de Oficial comeariam, finalmente, a pesar forte em nossos ombros. Sobre essa transio do status de Guarda-Marinha para Tenente, o notvel escritor-marinheiro Gasto Penalva escrevera com muita propriedade: ... a fase inesquecvel de nosso ofcio. Coincide exatamente com a adolescncia, primavera da vida. Tudo so flores e iluses... Depois comeam a despontar as responsabilidades, as agruras de novos cargos, o acmulo de deveres novos. E esses novos cargos e deveres novos, que foram se multiplicando a bordo de velhos e saudosos navios, deixariam agradveis e duradouras lembranas em nossa memria. Com o passar dos tempos, inmeros Conveses e Praa d Armas, hoje saudosas, foram se incorporando ao acervo profissional-afetivo de cada um dos integrantes daquela Turma de Guardas-Marinha de 1967. Ah! Como gratificante, ainda que melanclico, repassar tantas lembranas, tantos termos expressivos, tanta gria maruja, tantas tradies, fainas e eventos to intensamente vividos a bordo de inesquecveis e saudosos navios... E as viagens foram se multiplicando ao longo de bem aproveitados anos de embarque, de centenas de dias de mar e de milhares de milhas navegadas em alto mar, singrando as extensas massas lquidas que formam os grandes oceanos, ou ao longo das guas costeiras que banham os recortados litorais, com passagens, visitas e arribadas em um sem-nmero de enseadas, baas, barras, angras, estreitos, furos e canais espalhados pelos quatro cantos do mundo, percorridos nem sempre com mares bonanosos e ventos tranquilos e favorveis. Inmeros foram tambm os portos e cidades visitadas, no s no Brasil como no exterior, o que sempre nos proporciona inestimveis e valiosos conhecimentos, principalmente graas ao contato com povos diferentes e at mesmo de culturas exticas e hbitos s vezes totalmente diversos dos nossos, como os ribeirinhos amazonenses ou os criadores de serpentes da antiga Taprobana, ex-Ceilo e hoje Sri Lanka. Como foi fascinante e delicioso navegar por todos esses cantos. Cada novo mar percorrido, cada nova enseada, estreito ou porto visitado tinha sempre um gosto especial de descoberta... Sim, pois, como dizia Cmara Cascudo, o mar no guarda os vestgios das quilhas que o atravessam. Cada marinheiro tem a iluso cordial do descobrimento. (CSAR, CMG (RM1) William Carmo. Laivos de memria. In: Revista de Villegagnon, Ano IV, n 4, 2009. p. 42-50. Texto adaptado) Em que opo o plural do substantivo composto segue a mesma regra de flexo do termo destacado em [...] o to sonhado embarque no Navio-Escola. (11 pargrafo)?
(ESCOLA NAVAL - 2015) Leia o texto abaixo para responder (s) quest(es) a seguir. O reinado do celular De alto a baixo da pirmide social, quase todas as pessoas que eu conheo possuem celular. realmente um grande quebra-galho. Quando estamos na rua e precisamos dar um recado, s sacar o aparelhinho da bolsa e resolver a questo, caso no d pra esperar chegar em casa. Pra isso e s pra isso serve o telefone mvel, na minha inocente opinio. Ao contrrio da maioria das mulheres, nunca fui fantica por telefone, incluindo o fixo. Uso com muito comedimento para resolver assuntos de trabalho, combinar encontros, cumprimentar algum, essas coisas realmente rpidas. Fazer visita por telefone algo para o qual no tenho a menor pacincia. Por celular, muito menos. Considero-o um excelente resolvedor de pendncias e nada mais. Logo, voc pode imaginar meu espanto ao constatar como essa engenhoca se transformou no smbolo da neurose urbana. Outro dia fui assistir a um show. Minutos antes de comear, o lobby do teatro estava repleto de pessoas falando ao celular. Vou ter que desligar, o espetculo vai comear agora. Era como se todos estivessem se despedindo antes de embarcar para a lua. Ao trmino do show, as luzes do teatro mal tinham acendido quando todos voltaram a ligar seus celulares e instantaneamente se puseram a discar. Para quem? Para qu? Para contar sobre o show para os amigos, para saber o saldo no banco, para o tele-horscopo?? Nunca vi tamanha urgncia em se comunicar distncia. Conversar entre si, com o sujeito ao lado, quase ningum conversava. O celular deixou de ser uma necessidade para virar uma ansiedade. E toda nsia nos mantm refns. Quando vejo algum checando suas mensagens a todo minuto e fazendo ligaes triviais em pblico, no imagino estar diante de uma pessoa ocupada e poderosa, e sim de uma pessoa rendida: algum que no possui mais controle sobre seu tempo, algum que no consegue mais ficar em silncio e em privacidade. E deixar celular em cima de mesa de restaurante, s perdoo se o cara estivar com a me no leito de morte e for ligeiramente surdo. Isso tudo me ocorreu enquanto lia o livro infantil O menino que queria ser celular, de Marcelo Pires, com ilustraes de Roberto Lautert. Conta a historia de um garotinho que no suporta mais a falta de comunicao com o pai e a me, j que ambos no conseguem desligar o celular nem por um instante, nem no fim de semana levam o celular at para o banheiro. O menino no tem vez. A a ideia: se ele fosse um celular, receberia muito mais ateno. No histria da carochinha, isso rola pra valer. Adultos e adolescentes esto virando dependentes de um aparelho telefnico e desenvolvendo uma nova fobia: medo de ser esquecido. E d-lhe falar a toda hora, por qualquer motivo, numa esquizofrenia considerada, ora, ora, moderna. Os celulares esto cada dia menores e mais fininhos. Mas so eles que esto botando muita gente na palma da mo. (MEDEIROS, Martha. O reinado do celular. In:__. Montanha Russa; Coisas da vida; Feliz por nada. Porto Alegre, RS: LPM, 2013. p. 369-370.) Em que opo a reescritura do texto est INCORRETA, de acordo com a norma padro?
(Esc. Naval 2015) O reinado do celular De alto a baixo da pirâmide social, quase todas as pessoas que eu conheço possuem celular. É realmente um grande quebra-galho. Quando estamos na rua e precisamos dar um recado, é só sacar o aparelhinho da bolsa e resolver a questão, caso não dê pra esperar chegar em casa. Pra isso e só pra isso serve o telefone móvel, na minha inocente opinião. Ao contrário da maioria das mulheres, nunca fui fanática por telefone, incluindo o fixo. Uso com muito comedimento para resolver assuntos de trabalho, combinar encontros, cumprimentar alguém, essas coisas realmente rápidas. Fazer visita por telefone é algo para o qual não tenho a menor paciência. Por celular, muito menos. Considero-o um excelente resolvedor de pendências e nada mais. Logo, você pode imaginar meu espanto ao constatar como essa engenhoca se transformou no símbolo da neurose urbana. Outro dia fui assistir a um show. Minutos antes de começar, o lobby do teatro estava repleto de pessoas falando ao celular. Vou ter que desligar, o espetáculo vai começar agora. Era como se todos estivessem se despedindo antes de embarcar para a lua. Ao término do show, as luzes do teatro mal tinham acendido quando todos voltaram a ligar seus celulares e instantaneamente se puseram a discar. Para quem? Para quê? Para contar sobre o show para os amigos, para saber o saldo no banco, para o tele-horóscopo?? Nunca vi tamanha urgência em se comunicar à distância. Conversar entre si, com o sujeito ao lado, quase ninguém conversava. O celular deixou de ser uma necessidade para virar uma ansiedade. E toda ânsia nos mantém reféns. Quando vejo alguém checando suas mensagens a todo minuto e fazendo ligações triviais em público, não imagino estar diante de uma pessoa ocupada e poderosa, e sim de uma pessoa rendida: alguém que não possui mais controle sobre seu tempo, alguém que não consegue mais ficar em silêncio e em privacidade. E deixar celular em cima de mesa de restaurante, só perdoo se o cara estivar com a mãe no leito de morte e for ligeiramente surdo. Isso tudo me ocorreu enquanto lia o livro infantil O menino que queria ser celular, de Marcelo Pires, com ilustrações de Roberto Lautert. Conta a historia de um garotinho que não suporta mais a falta de comunicação com o pai e a mãe, já que ambos não conseguem desligar o celular nem por um instante, nem no fim de semana levam o celular até para o banheiro. O menino não tem vez. Aí a ideia: se ele fosse um celular, receberia muito mais atenção. Não é história da carochinha, isso rola pra valer. Adultos e adolescentes estão virando dependentes de um aparelho telefônico e desenvolvendo uma nova fobia: medo de ser esquecido. E dá-lhe falar a toda hora, por qualquer motivo, numa esquizofrenia considerada, ora, ora, moderna. Os celulares estão cada dia menores e mais fininhos. Mas são eles que estão botando muita gente na palma da mão. (MEDEIROS, Martha. O reinado do celular. In:__. Montanha Russa; Coisas da vida; Feliz por nada. Porto Alegre, RS: LPM, 2013. p. 369-370.) Em que opção o termo sublinhado exerce a mesma função que o pronome destacado em De alto a baixo da pirâmide social, quase todas as pessoas que eu conheço possuem celular. (1 )?
(Esc. Naval 2015) O reinado do celular De alto a baixo da pirâmide social, quase todas as pessoas que eu conheço possuem celular. É realmente um grande quebra-galho. Quando estamos na rua e precisamos dar um recado, é só sacar o aparelhinho da bolsa e resolver a questão, caso não dê pra esperar chegar em casa. Pra isso e só pra isso serve o telefone móvel, na minha inocente opinião. Ao contrário da maioria das mulheres, nunca fui fanática por telefone, incluindo o fixo. Uso com muito comedimento para resolver assuntos de trabalho, combinar encontros, cumprimentar alguém, essas coisas realmente rápidas. Fazer visita por telefone é algo para o qual não tenho a menor paciência. Por celular, muito menos. Considero-o um excelente resolvedor de pendências e nada mais. Logo, você pode imaginar meu espanto ao constatar como essa engenhoca se transformou no símbolo da neurose urbana. Outro dia fui assistir a um show. Minutos antes de começar, o lobby do teatro estava repleto de pessoas falando ao celular. Vou ter que desligar, o espetáculo vai começar agora. Era como se todos estivessem se despedindo antes de embarcar para a lua. Ao término do show, as luzes do teatro mal tinham acendido quando todos voltaram a ligar seus celulares e instantaneamente se puseram a discar. Para quem? Para quê? Para contar sobre o show para os amigos, para saber o saldo no banco, para o tele-horóscopo?? Nunca vi tamanha urgência em se comunicar à distância. Conversar entre si, com o sujeito ao lado, quase ninguém conversava. O celular deixou de ser uma necessidade para virar uma ansiedade. E toda ânsia nos mantém reféns. Quando vejo alguém checando suas mensagens a todo minuto e fazendo ligações triviais em público, não imagino estar diante de uma pessoa ocupada e poderosa, e sim de uma pessoa rendida: alguém que não possui mais controle sobre seu tempo, alguém que não consegue mais ficar em silêncio e em privacidade. E deixar celular em cima de mesa de restaurante, só perdoo se o cara estivar com a mãe no leito de morte e for ligeiramente surdo. Isso tudo me ocorreu enquanto lia o livro infantil O menino que queria ser celular, de Marcelo Pires, com ilustrações de Roberto Lautert. Conta a historia de um garotinho que não suporta mais a falta de comunicação com o pai e a mãe, já que ambos não conseguem desligar o celular nem por um instante, nem no fim de semana levam o celular até para o banheiro. O menino não tem vez. Aí a ideia: se ele fosse um celular, receberia muito mais atenção. Não é história da carochinha, isso rola pra valer. Adultos e adolescentes estão virando dependentes de um aparelho telefônico e desenvolvendo uma nova fobia: medo de ser esquecido. E dá-lhe falar a toda hora, por qualquer motivo, numa esquizofrenia considerada, ora, ora, moderna. Os celulares estão cada dia menores e mais fininhos. Mas são eles que estão botando muita gente na palma da mão. (MEDEIROS, Martha. O reinado do celular. In:__. Montanha Russa; Coisas da vida; Feliz por nada. Porto Alegre, RS: LPM, 2013. p. 369-370.) Que opção NÃO justifica explicitamente o título do texto?
(Esc. Naval 2015) Os celulares Resolvi optar pela forma de plural, pois vejo tanta gente agora com, pelo menos, dois. O que me pergunto é como se comportaria a maioria das pessoas sem celular, como viver hoje sem ele? Uma epidemia neurótica grave atacaria a população? Certamente! Quem não tem seu celular hoje em dia? Crianças, cada vez mais crianças, lidam, e bem, com ele. Apenas uns poucos retrógrados, avessos ao progresso tecnológico. A força consumista do aparelho foi crescendo com a possibilidade de suas crescentes utilizações. Me poupem de enumerá-las, pois só sei de algumas. De fato, ele faz hoje em dia de um tudo. Diria mesmo que o celular veio a modificar as relações do ser humano com a vida e com as outras pessoas. Até que não custei tanto assim a aderir a este telefoninho! Nem posso deixar de reconhecer que ele tem me quebrado uns galhos importantes no corre-corre da vida. Mas me utilizo dele pouco e apenas para receber e efetuar ligações. Nem lembro que ele marca as horas, possui calendário. É verdade, recebi uns torpedos, e com dificuldade, enviei outros, bem raros. Imagine tirar fotos, conectá-lo à internet, ao Facebook! Não quero passar por um desajustado à vida moderna. Isto não! No computador, por exemplo, além dos e-mails, participo de rede social, digito (mal), é verdade, meus textos, faço lá algumas compras e pesquisas... Fora dele, tenho meus cartões de crédito, efetuo pagamentos nas máquinas bancárias e, muito importante, sei de cabeça todas as minhas senhas, que vão se multiplicando. Haja memória! Mas, no caso dos celulares, o que me chama mesmo a atenção é que as pessoas parecem não se desgrudar dele, em qualquer situação, ou ligando para alguém, ou entrando em contato com a internet, acompanhando o movimento das postagens do face, ou mesmo brincando com seus joguinhos, como procedem alguns taxistas, naqueles instantes em que param nos sinais ou em que o trânsito está emperrado. Não há como negar, contudo, que esta utilização constante do aparelhinho tem causado desconfortos sociais. Comenta a Danuza Leão: Outro dia fui a um jantar com mais seis pessoas e todas elas seguravam um celular. Pior, duas delas, descobri depois, trocavam torpedos entre elas. Me sinto muito constrangido quando, num grupo, em torno de uma mesa, tem alguém, do meu lado, falando, sem parar, pelo celular. Pior, bem pior, quando estou só com alguém, e esta pessoa fica atendendo ligações contínuas, algumas delas com aquela voz abafada, sussurrante... Pode? É frequente um casal se sentar a uma mesa colada à minha, em um restaurante e, depois, feitos os pedidos aos garçons, a mulher e o homem tomam, de imediato, os seus respectivos celulares. E ficam neles conversando quase o tempo todo, mesmo após o início da refeição. Se é um casal de certa idade, podem me argumentar, não devia ter mais nada para conversar. Afinal, casados há tanto tempo! Porém, vejo também casais bem mais jovens, com a mesma atitude, consultando, logo ao se sentarem, os celulares para ver o movimento nas redes sociais, ou enviando torpedos, a maior parte do tempo. Clima de namoro, de sedução, é que não brotava dali. Talvez, alguém parece ter murmurado, em meu ouvido, assim os casais encontraram uma maneira eficiente de não discutirem. Falando com pessoas não presentes ali. A tecnologia a serviço do bom entendimento, de uma refeição em paz. Mas vivencio sempre outras situações em que o uso do celular me prende a atenção. Entrei em um consultório médico, uma senhora aguardava sua vez na sala de espera. Deu para perceber que ela acabava de desligar seu aparelho. Mas, de imediato, fez outra chamada. Estava sentado próxima a ela, que falava bem alto. A ligação era para uma amiga bem íntima, estava claro pela conversa desenrolada, desenrolada mesmo. Em breves minutos, não é por nada não, fiquei sabendo de alguns probleminhas da vida desta senhora. Não, não vou aqui devassar dela, nem a própria me deu autorização para tal... Afinal, sou uma pessoa discreta. Não pude foi evitar escutar o que minha companheira de sala de espera... berrava. Para não dizer, no entanto, que não contei nada, também é discrição demais, só um pequeno detalhe, sem maior surpresa: ela estava a ponto de estrangular o marido. O homem, não posso afiançar, aprontava as suas. Do outro lado, a amigona parecia estimular bem a infortunada senhora. De repente, me impedindo de saber mais fatos, a atendente chama a senhora, chegara a sua hora de adentrar ao consultório do médico. Não sei como ela, bastante exasperada, iria enfrentar um exame, na verdade, delicado. Não deu para vê-la sair pela outra porta. É, os celulares criaram estas situações, propiciando já a formação do que poderá vir a ser chamado de auditeurismo, que ficará, assim, ao lado do antigo voyeurismo. (UCHÔA, Carlos Eduardo Falcão. Os celulares. In: ______. A vida e o tempo em tom de conversa. 1 Ed. Rio de Janeiro: Odisseia, 2013. P. 150-153.) Em que opção o referente do termo sublinhado está corretamente indicado?